segunda-feira, 25 de agosto de 2008


PLANALTINA,149 ANOS
(Por Rosana Oliveira)

A mais antiga cidade do DF completou (em 19 de aogsto) 149 anos. Um século mais antiga que a capital federal.
Pela região de Planaltina passaram bandeirantes, tropeiros, a estrada Real do Planalto, o caminho para o desenvolvimento.
Planaltina é berço de duas importantes bacias hidrográficas do Brasil: do rio Tocantins e rio Paraná. As “águas emendadas” formam um singular fenômeno de dispersão de águas bem no meio do cerrado. A partir de um mesmo ponto, as águas do Córrego Vereda Grande, deslizando suas águas cristalinas para o norte, encontram o Rio Maranhão que vai alimentar o caudaloso Rio Tocantins. Para o sul, o Córrego Brejinho engrossa o Córrego Fumal, deste para o Rio São Bartolomeu, depois Corumbá, desaguando no Paranaíba e formando então o Rio Paraná.
A tradição conta que o primeiro nome do povoado, Mestre D’Armas, deveu-se a um mestre armeiro que se estabeleceu na região. Caminho de tropeiros que seguiam pela “Picada da Bahia”, a região começou a atrair muita gente. Foi assim com José Gomes Rabelo, que se tornou proprietário da Fazenda de mesmo nome e é apontado como fundador da cidade.
O povoado passa a ser distrito de Luziânia em 1834 com o nome de São Sebastião de Mestre d’Armas. No dia 19 de agosto de 1859, por meio da Lei Provincial nº 03 é criado em definitivo o Distrito de São Sebastião de Mestre d’Armas, já incorporado ao município de Formosa–GO. Mais um decreto, esse de 19 de março de 1891, eleva o distrito a município. Em 1910 a cidade teria seu nome mudado para Altamir, e em 14 de julho de 1917 foi renomeado em definitivo, chamando-se Planaltina.
A Missão Cruls, encarregada de levantar as informações para a mudança da capital, chega em Planaltina. Seus membros se hospedam onde hoje é o Museu Histórico e artístico de Planaltina. A área definida pelo chamado “Polígono Cruls” engloba áreas do então município de Goiás. Planaltina passa a sonhar com a possibilidade de abrigar a nova capital. O sonho seria desfeito com a escolha do “Sítio Castanho”, local onde hoje se localiza o Plano Piloto. Planaltina perdeu a sua autonomia, passando a ser uma região administrativa do Distrito Federal.

A busca da modernidade, com um pé na tradição
Planaltina tem uma população estimada em mais de 200 mil habitantes. Além dos descendentes das tradicionais famílias goianas que aqui estavam, a cidade recebeu um grande número de candangos, gente que veio buscar aqui uma nova oportunidade. A cidade tem uma grande área rural. Tem a maior produção de pimentão do país e uma importante produção de grãos. A produção de leite e derivados também é expressiva. Mas ao mesmo tempo sofre com inúmeros problemas, como infra-instrutora e transportes.
Depois da construção de Brasília e o aumento da população local, foram feitas algumas tentativas de organização do espaço urbano de Planaltina. Em 1966 foi elaborado um Plano Diretor com objetivo de criar novos espaços institucionais e ao mesmo tempo preservar os espaços antigos e as tradições culturais da cidade. A Vila Burtis (Setor Residencial Leste) surge em 1971 para abrigar moradores da antiga Vila Tenório, no Núcleo Bandeirante. O fato desagradou alguns dos moradores mais antigos. Então foi previsto um “cordão de isolamento” constituído pelos prédios instrucionais , onde estão Hospital, a Rodoviária, o Estádio Adonir Guimarães, o Fórum e a Administração Regional. Ainda em 1969 surge o Vale do Amanhecer, fundado pela médium Neiva Chaves Zelaya, a tia Neiva.
As décadas de oitenta e noventa foram marcadas pelo aumento das ocupações irregulares. Nesta época surgem o Arapoangas, Mestre d’Armas (Estâncias I a V, Estância Planaltina,) e Aprodarmas. Na mesma época surge o Jardim Roriz, este um assentamento urbano organizado pelo GDF.
Em 149 anos, Planaltina passou de município autônomo a região administrativa do Distrito Federal, de possibilidade de abrigar em seu território centenário a nova capital da república a RA 6, muitas vezes considerada mais distante do que as outras. Em 149 anos a cidade viu muitas de suas tradições arrefecerem e ressurgirem com toda a força, como a Festa do Divino. Viu o surgimento de novos setores, três faculdades particulares e o campus da UnB. Viu, e ainda vê, seu casario histórico sendo vencido pelo tempo, ao mesmo tempo casas modernas ocupam o lugar. Assim Planaltina segue firmando sua identidade. Como o curioso fenômeno que dá nome à unidade de conservação “Águas Emendadas” a cidade caminha em duas direções: em busca da modernidade, mas com um pé na tradição.

(Fonte: www.classificaodf.com.br)

2 comentários:

Marcus Vinícius disse...

Mais uma vez, parabéns pelo maravilhoso blog. Só gostaria de sugerir uma possível correção: em vários sites, já vi alguns dados datados de 2005 informando que Planaltina possui 235 mil habitantes. Já outros dados (previsões) do PDOT a ser aprovado, afirmam que em em 2006 a população era de quase 200 mil e em 2010 será de 235 mil.
Pra frente, Planaltina!
Grande abraço

Francisco A. de Azevedo disse...

Joésio Menezes,

Certa vez estava em uma fazenda pra lá de Brasilinha, em meados de 1985/90. Um Rapaz chamado Idelfonso me emprestou um livro contando a história do Mestre D'armas e de Planaltina. Lí o livro, se não me engano de uma só vez, continha se não me engano umas 100 páginas.

Devolvi o livro para ele no dia seguinte. Infelizmente ele já faleceu. Tentei encontrar o livro, mas não encontrei mais ninguém que soubesse dele.

Falava do armeiro famoso na redondeza, pois tudo que era de foice, machado, ferramentas, armas e etc, ele entendia. Afinal naquela época, ser ferreiro era profissão importante e de extrema utilidade.

Naquela época, contava o livro, que as pestes dizimavam as populações deste local. Eram elas, a malária e a febre amarela.

Nõa me lembro o nome do livro nem do autor, mas deve ter na biblioteca histórica da cidade.

Procurei porque queria ler de novo.

Parabéns pelo blog.

Cordialmente,

Francisco Alberto de Azevedo